


Mas as coisas não começaram a correr muito bem, pois não sei se com a mudança de clima ou devido aos suínos com aquele peso não estarem acostumados a andar às costas, o que é certo é que o animal deixou de comer e foi definhando, até que um dia acabou por morrer, não sabemos bem se de véspera, e foi necessário abrir-lhe uma cova, serviço esse que coube ao Marcolino e ao Jonin por lhe tocar o dia de tratar dele e terem descoberto que ele já era cadáver.

No meio desta súbita doença ouve ainda quem pensasse que o porco podia padecer de solidão e para ele não estar sozinho arranjaram uma porquinha pequena e foram-na levar para lhe fazer companhia.
Não foi, nem será, qualquer contrariedade que dá cabo duma festa na Fajã d'Além, por isso mesmo o pessoal tratou de arranjar outro porco, que estando mais habituado a andar lá foi para a fajã com o tal destino da festa.

No meio destas peripécias ouve alguém que se lembrou de levar para lá também um galo e assim, à horta onde puseram os animais, que julgo ser do saudoso "Ti Morais" começaram a chamar "Quinta das Celebridades". Ao nosso porco deram o nome de "Castelo Branco" e à porquinha o nome de "Cinha Jardim".

"Castelo Branco", esse tinha os dias contados, e não levou muito tempo lá desempenhou as funções para que estava destinado numa grande festança onde não faltaram nem os bifes nem os torresmos de entrecosto além de outras iguarias próprias da matança.
Mas "Cinha" continuou na quinta e para além do referido galo arranjou mais um amigo que lá veio parar sozinho, desta feita um pato bravo todo jeitoso. De bravo só tinha o nome, pois quando nos via queria era andar à nossa volta a ver se arranjava alguma coisa para comer.
Só que, como todas as histórias também esta tem o seu final. Com o passar do tempo a nossa porquinha cresceu e precisava de comer cada vez mais e como passado o inverno as pessoas começam a não estar por lá tanto tempo esta começou a passar algumas necessidades e foi necessário transformá-la em carne. O Senhor galo esse desapareceu num dia de muita chuva e trovoada, segundo os vizinhos deve ter caído e foi levado pela ribeira. Quanto ao senhor pato esse como não gostava de estar sozinho arranjou uma companheira que por lá apareceu e tal como não soubemos a maneira que ali tinham vindo parar, partiram para parte incerta, mas concerteza felizes para sempre.
A "quinta", como tantas outras que existem por esse mundo fora, ficou abandonada à espera que qualquer dia alguém lhe queira dar novo distino.