
Cheira a S.Martinho.
A Festa maior da fajã d'além está a chegar. Ultimam-se os preparativos. veem-se e reveem-se as previsões metereológicas. Os principiantes nestas andanças pesquisam a net para saber mais deste lugar. Etc...
Foi numa destas pesquisas que alguém viu um artigo na rubrica boa vida do DN publicado em 2005, e me disse "este ano eu vou arriscar" pois até as pessoas de longe dizem que vale a pena o esforço.
É nesse sentido, e porque a escrita dos outros pode ajudar a aguçar o apetite dos mais cépticos, que me permito transcrever parte desse texto de Isaltina Padrão:
"Pé ante pé até à Fajã de Além A paisagem e, sobretudo, as histórias que se ouvem sobre as típicas fajãs da ilha de S. Jorge (Açores) e as gentes que nelas habitam convidam à aventura. Mas para chegar a estas línguas de terra - povoadas com casinhas de pedra - que se estendem mar adentro há um árduo caminho a percorrer.Pé ante pé, devagar, devagarinho, lá se vai descendo aquela escadaria de pedra antiga, em tantos sítios gasta, em tantos outros escorregadia devido à vegetação. O bordão (uma espécie de cajado) e calçado adequado evitam algumas quedas, mas não fazem milagres - todo o cuidado é pouco para descer ou subir estes trilhos de declive bastante acentuado. Uma coisa é certa no final do percurso, todos são unânimes em dizer que "valeu a pena o esforço". Até, ou sobretudo, para os citadinos mais habituados a andar de carro do que a fazer longos percursos a pé.Esse esforço é ainda mais compensatório quando o trilho que nos propõem é o que nos conduz à Fajã de Além, uma das mais típicas de S. Jorge. É que esta, ao contrário de muitas deixadas ao abandono, está a ser recuperada, aos poucos, pelos proprietários das 24 casinhas, que, como nos dizem, sentem falta de, com regularidade, descerem da vila onde moram para "encontrar esta paz à beira-mar".Paz essa que é "interrompida", de quando em vez, por turistas ou amantes do pedestrianismo. Mas a interrupção, neste caso, até é bem-vinda (daí as aspas...). Ao chegar à fajã é-se logo convidado a entrar em cada casinha cujo dono esteja lá a passar uma temporada. A boa vontade é tanta que não há como recusar entrar para conhecer aquela vivência quase formatada uma cozinha, um quarto, onde dorme toda a família, uma horta e uma adega de onde saem, de imediato, jarros de vinho, cervejão (cerveja com vinho) e a famosa angelica (espécie de jeropiga).Bem bebidos, bem comidos e com as despedidas feitas, está na hora de pegar na mochila, fazer uma rápida visita ao moinho que ainda hoje tem serventia e dizer "adeus, até um dia" a este lugarejo onde a água canalizada e a electricidade ainda não chegaram. E talvez nem cheguem. Caso contrário, estraga-se tudo",( fim de citação).
Alguns anos já passaram, mas a fajã, graças a Deus, continua quase na mesma, principalmente na hospitalidade, por isso também me permito dizer - julgo que vale a pena o esforço.